quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ter Filhos é uma DROGA...

Recentemente estava conversando com duas amigas minhas que não têm filhos...e uma delas me relatou que têm medo de ter filhos e só falar disso...Que existem pessoas que depois que têm filhos só falam disso.... Acho que não devemos ter medo...Quando entramos no mundo da maternidade aprendemos que "tudo é uma fase"....sim com nossos bebês e com a gente também...É uma fase, que passa...um dia você para, melhor você diminui o assunto filhos...Ou o mais comum é que na ordem natural da vida todos os seus amigos acabam tendo filhos e todos falem deles :)....E você deixa de ser um ET...Simples assim! Li um texto em um blog sobre ter filhos que de forma humorada retrata os pais de primeira viajem...muito hilário vale a pena: Ter filhos é uma droga Por GUSTAVO MINI Existe um lugar comum que define a chegada de filhos na vida de um casal como um momento de “careteamento”, quando os novos pais deixam as loucuras do passado pra trás, tornando-se mais sérios e responsáveis. Qualquer um que tenha filhos sabe que isso é uma bobagem. A grande verdade, que ninguém diz porque iria constranger cidadãos de bem, é que filhos transformam os pais em dependentes químicos, em junkies, em verdadeiros alucinados. Filho é um vício, uma viagem sem volta, um fator de altíssima dependência que causa todo tipo de efeito colateral. Isso é especialmente visível nos primeiros meses de vida do bebê. Olhe para pais recentes: olheiras profundas, cara de acabados, explosões de mau humor, alienação da vida social, total desinteresse por outros assuntos que não o seu pequeno e completo desprezo pelas normas sociais no jeito como se vestem. Nessa época, os pais sofrem de privação de sono, paranóia (“será que ele tá respirando? será que vou conseguir ensinar alguma coisa pra ela?”) e indícios de transtornos obsessivos (“ferver a água duas vezes é suficiente?”). O fato de se cercarem de objetos e roupinhas coloridas com animais falantes e personagens infantis mesmo quando os filhos não conseguem distinguir direito formas e cores mostra a extensão do seu descolamento da realidade. É um espetáculo grotesco. Com os bebês crescendo, o comportamento desajustado continua e se aprofunda. Os pais acham normal andar vomitados por aí, cantar a plenos pulmões músicas sobre sapos que não lavam o pé, dançar em momentos inadequados e falar sem parar durante horas (sobre os filhos). Ficam em rodinhas nas quais só são aceitos os parceiros de vício e as conversas são recheadas de códigos próprios. Compartilham visões lisérgicas de brinquedos que falam, dinossauros roxos, cachorros vermelhos gigantes, turmas de animais aventureiros, mundos alternativos que só fazem sentido para os junkies com quem andam. Os que não estão na mesma pilha são vistos com desdém. Casais sem filhos, especialmente, costumam ser tratados como seres inferiores. Aliás, o delírio de grandeza de quem tem o vício dos filhos toma ares místicos. É comum você ver pais beijando machucados de filhos como se tivessem poder de cura e assoprando alimentos sujos como se o seu sopro fosse purificador. Mas a euforia não dura o tempo inteiro. Quando não estão com as crianças, os viciados se jogam em sofás num estado de pura letargia, abrindo mão de projetos que antes os entusiasmavam e que faziam deles membros produtivos da sociedade. Agora eles vivem apenas para alimentar e fazer crescer seu vício. Como toda droga, os filhos tem seu efeito mais potente nos primeiros dias de uso. Os pais de um recém nascido tem os olhos vidrados, um discurso riponga de paz e amor, e o depoimento constante de que tudo está diferente, mais brilhante. Com o tempo, é preciso drogas mais pesadas e complexas para sustentar esse barato. Demora para que os pais encontrem algo à altura dos filhos e que cause tamanho prazer depois de tantas experiências intensas ao longo dos anos. Mas as autoridades sabem que todo pai e toda mãe, após duas ou três décadas de uso de filhos, vive em busca de repetir o prazer da primeira viagem e logo logo acabam caindo nas garras de uma outra droga, ainda mais pesada, que faz pessoas experientes agirem de maneira ainda mais abestalhada e inconsequente. Você já deve ter ouvido falar por aí. Chama-se “netos”. http://www.oesquema.com.br/conector/2013/12/02/ter-filhos-e-uma-droga.htm

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Maternidade...

Imagine-se em um lugar inteiramente novo: pessoas desconhecidas, cheiros, gostos e sons inteiramente novos, uma língua que você ainda precisa aprender a falar e compreender, lugares misteriosos e caminhos que podem ser interessantíssimos e cheios de descobertas e aprendizado, mas você não tem a menor ideia de onde é que vão te levar. É como uma viagem a um destino inédito: experimenta-se o susto pela novidade, pelo mistério, pelo desconhecido. Mas também a expectativa e a maravilha de olhar algo fresco, de se entregar a algo que não sabemos o que será, mas intuímos que será bonito, revolucionário, transformador. Assim é o mergulho na maternidade, quando da chegada do primeiro filho. De repente e de um modo às vezes assustador, a vida passa a ser outra. Uma vida que desconhecemos e exige de nós muita mudança e muita coragem. É uma realidade inteiramente nova, a acontecer de modo totalmente desconhecido e misterioso, e para vive-la intensamente, precisamos nos despir de tudo o que antes sabíamos, desejávamos, planejávamos e acreditávamos, para acolher novos saberes, novos desejos, novos planos e novas crenças. Em verdade, precisamos abrir os braços, a mente e o coração não só para fazer coisas novas, mas para sermos inteiramente novas. E se há que se abrir espaço para o novo, é preciso deixar que o velho se vá, deixe de existir e vire poeira na estrada, recordação na memória, história para se contar. Se precisamos ser novos, é indispensável deixar que o que fomos antes se despeça, pereça, e deixe de existir. O conceito de ‘morte’ costuma nos soar assustador, e por isso costumo receber olhares surpreendidos quando falo do ‘luto pós-maternidade’. Mas ele existe, é real e precisa ser olhado de frente. Nascem nossos filhos, e morre uma era: morrem prioridades das quais não poderemos dar mais conta, morre um certo tipo de liberdade que não voltaremos a ter (embora possamos descobrir muitas outras, tão lindas quanto ou até mais), morre uma rotina que não acontecerá mais, morrem planos que não conseguiremos mais realizar (mas nascerão outros, mais afinados com quem passamos a ser), morre um egocentrismo que não conseguiremos mais alimentar, morre o direito a nos considerarmos o centro absoluto de todas as escolhas e decisões. A revolução pela maternidade pode ser fantástica – e quase sempre é, quando há entrega e o amor e o desejo de viver a experiência intensamente estão presentes. Mas ela é também um tanto aterrorizante, como qualquer revolução – porque traz a mudança, o novo, o desconhecido. Quando nos tornamos mães, a vida nos exige um desapego tremendo de tudo o que foi vivido antes – na verdade, quando temos um filho, a vida nos exige que nos desprendamos da pessoa que fomos até ali. E quando aceitamos fazê-lo, precisamos despedir-nos desta pessoa com muita calma, como nos despedimos de um ente querido que encerra sua jornada neste mundo – e finda esta despedida, se a vivenciarmos sem culpas e sem pressa, talvez possamos permitir verdadeiramente que ela morra para dar lugar ao novo. A maternidade é, em última instância, a um só tempo um nascimento e uma morte: nasce um bebê, uma mãe e uma nova vida, e morre alguém que nos acostumamos a ser, alguém de quem gostamos por muito tempo e que em algum momento acreditamos que seríamos para sempre. Enquanto acolhemos um novo ser nos braços, outro está morrendo – e é preciso olhar para esta morte, acolhê-la com carinho, chorá-la o tanto necessário, nem uma lágrima a menos, sem pudores e sem remorso. Só quem vive corajosamente e de olhos bem abertos a morte do que deixou de ser pode abrir-se de fato para o que virá. A dor existe, é legítima. E como nos partos naturais, ela não é vilã, mas companheira – quando recebida com valentia e sem subterfúgios, ajuda-nos a crescer e nos faz mais preparados para o que há pela frente, neste novo mundo misterioso que temos tanta sede de conhecer. Esta é a dinâmica da vida: coisas acabam, para que outras comecem. Coisas morrem, para que outras nasçam. E assim acontece, também conosco: morremos quem fomos para dar lugar a quem seremos. Este texto é de: Renata Penna

Tudo vai passar...

Tudo vai passar. Eles vão crescer e dispensar nosso colo. Vai chegar a fase em que os amigos serão mais importantes que os pais. Que nossas demonstrações de afeto serão consideradas um grande mico. Que em vez de torcemos para que eles durmam, torceremos pra que cheguem logo em casa. Que não se interessarão pelos velhos brinquedos. Que o alvoroço na hora do almoço, dará lugar a calmaria. Que os programas em família serão menos atrativos que o churrasco com a turma. Que dirão coisas tão maduras que nosso coração irá se apertar. Que começaremos a rezar com muito mais freqüência. Que morreremos de saudade de nossos bebês crescidos. Por isso... Viva o agora. Releve as birras. Conte até 10. Faça cosquinhas. Conte histórias. Dê abraços de urso. Deite ao lado deles na cama. Abrace-os quando tiverem medo. Beije os machucados. Solte pipa. Brinque de boneca. Faça gols. Comemorem. Divirtam-se. Acorde cedo aos domingos pra aproveitar mais o dia. Rezem juntos. Estimule-os a cultivar amizades. Faça bolos. Carregue-os no colo. Faça com que saibam o quanto são amados. Passem o máximo de tempo juntos... ...assim quando eles decidirem partir para seus próprios voos, você ainda terá tudo isso guardado no coração!

Minha História com a Endometriose...

Dei um depoimento a alguns anos atrás para um Blog chamado a Endometriose e Eu de Caroline Salazar sobre a minha cirurgia para tratar da endometriose severa que eu tinha... Resolvi postar o depoimento aqui no Blog, porque foi a Endometriose que me levou a uma gravidez gemelar... Enjoy! “Meu nome é Sabrina Petermann, moro em Brusque, em Santa Catarina, tenho 30 anos. Em 2001, aos 20 anos de idade, eu ainda estava na faculdade quando comecei a sentir fortes dores de estômago. Na época, graças à ajuda de uma tia, eu tinha plano de saúde, pois minha família não tinha condições de me proporcionar tal luxo, que é ter um plano de saúde no Brasil. Por conta das dores de estômago, fui a um médico, um gastro, que era extremamente atencioso. Ele fez um exame de apalpar a região do abdômen e perguntava aonde eu sentia dor. Ao tocar na área que corresponde à parte do intestino, reclamei. Foi quando ele perguntou se eu tinha alteração nas fezes no meu período menstrual. Respondi que sim, que tinha prisão de ventre nessa época. Foi aí que o doutor me apresentou uma nova doença, na seguinte frase: “Isso pode ser endometriose, conversa com seu ginecologista e quando quiseres engravidar procure um especialista.” Bom, meu caso com o gastro se revelou em uma gastrite nervosa, e de fato, nas férias, e após terminar a faculdade em 2003, nunca mais tive as tais dores de estômago. Ainda em 2001 começou minha epopeia pela tal endometriose. Até então, meu único problema era não fazer cocô no período menstrual. Na época, eu tinha uma ginecologista, uma mulher, e eu falei para ela o que sentia, o que o gastro havia me falado sobre endometriose. Lembro-me até hoje o descaso como ela tratou o assunto. A doutora não levantou nenhum minuto o rosto da minha ficha, apenas disse para eu comer mais fibras, tomar mais água durante esse período para evacuar melhor. Foi minha última consulta com ela. Daí para frente cada ano era um ginecologista diferente e falava a mesma coisa até que chegou uma fase que algumas coisas mudaram. As minhas fezes se tornaram diarreia durante o período menstrual. Mas como nenhum ginecologista dava atenção ao assunto e o gastro somente havia me dito: “quando quiseres engravidar vais precisar resolver isso”, pensei que resolveria quando quisesse engravidar, pois eu não tinha muita noção sobre o assunto. Nessa época, eu também fiquei sem plano de saúde. E assim passaram-se alguns anos. Em 2007, eu descobri que tinha leite no peito. Após exames negativos de gravidez, uma ginecologista me disse que poderia ser um adenoma na hipófise. Vou resumir bem isso, mas essa parte aqui é importante porque foi aqui que eu encontrei uma médica que me disse: “vai resolver seu problema de endometriose hoje!”. Sem plano de saúde, fui me consultar numa clínica do Sesi, onde as consultas eram mais baratas. A tal gineco disse que era um adenoma na hipófise e que não precisaria nem fazer exames, pois era só tomar um remédio que passava. Ela pediu as contas da clínica e sumiu. E eu fiquei sem o remédio e sem saber se existia um especialista em outra área que poderia me ajudar. Mesmo assim continuei mais um ano nessa clínica, onde eu conheci a minha endocrinologista. Aliás, ela merece ser citada com nome: é a dra. Camila Colin. Ela tratou e trata do meu adenoma na hipófise até hoje e foi quem me disse: “Sabrina você tem que tratar essa endometriose agora, não somente quando quiser ter filhos, ninguém merece e nem deve sentir dor. E até você querer ser mãe poderá ser tarde demais.” Já que esse adenoma requer tratamento constante e ressonância magnética anual, fui fazer um plano de saúde. A partir daí comecei a procurar um especialista em endometriose em Santa Catarina. Fui ao nosso amigo google e nada. Era tudo bem vago, mas muitos estavam relacionados a clínicas de fertilidade, porém eu não queria ter filho naquele momento. No começo de 2010, uma amiga minha, que ia à sua consulta de rotina com seu ginecologista, disse-me: “Sabrina, não queres tentar ir nele, é em Florianópolis. Já tive problemas com outros médicos e com ele deu certo, não custa tentar.” Ele foi o primeiro ginecologista que me ouviu, que me explicou sobre a endometriose, que me diagnosticou com ela e me deu uma solução: engravidar! Segundo ele, no parto, ele faria uma cesárea e, além do bebê, retiraria o tal foco de endometriose que, segundo o exame de colonoscopia, a minha endo estava localizada no segmento retossigmoide. A outra solução seria colocar DIU (dispositivo intrauterino), o Mirena, para não menstruar. Saí de lá superfeliz por ter sido ouvida, entendida, por alguém ter acreditado em mim, me olhar no olho e não apenas na minha ficha, mas também por ele ter me explicado sobre a doença. O único problema é que eu não gostava da ideia de engravidar naquele momento, mas também não gostava da ideia de colocar o Mirena, já que esse remédio poderia durar até cinco anos no meu corpo. E se eu resolvesse ser mãe, como poderia retirá-lo antes deste período? Enfim, não sei por que, mas achava que era necessária outra solução (sexto sentido será?). Então, continuei menstruando, sentindo dores muitos fortes e passando muito mal no período menstrual. No fim de 2010, fez três anos que eu ficava de cama no primeiro dia da menstruação. Alguns meses depois, comecei a menstruar também pelo ânus. Saiam pedaços de sangue solidificados no meu cocô. Com isso fui a um especialista em fertilidade, em Blumenau, a 30 minutos da minha cidade. Ele tinha tratado algumas pessoas, tipo a conhecida da conhecida de uma amiga da amiga. Ela tinha endometriose e queria engravidar. Esse médico fazia laparoscopia, retirava os focos. A tal fulana operou com ele e em um dia já tinha ido pra casa. Marquei a consulta e fui, mas para isso tive que mentir para a secretária dele que eu queria engravidar e não estava conseguindo. A primeira pergunta que ela fez ao telefone foi: “tais tentando engravidar e não consegues?” E eu respondi: “não!” E ela me disse: “mas o doutor só atende casos de infertilidade” E eu: “mas eu tenho endometriose e soube que ele tratou de mulheres que tinham.” E a secretária: “tais tentando engravidar ou não tais?” Então eu disse: “tô, tô tentando e não consigo! O tal médico era superdisputado e eu tive que esperar três meses para ser atendida. Chegando lá, quando ele ia explicar como funciona o seu processo para engravidar, interrompi e disse: “doutor eu não quero engravidar, pelo menos não agora.” Ele deve ter pensado naquele segundo: “O que essa louca está fazendo em uma clínica de fertilidade então?” É que eu tenho endometriose e me falaram que o senhor opera. E contei toda minha história, meus sintomas e a ideia do gineco anterior, de que precisava engravidar para retirar a endometriose. Posso dizer que esse médico mudou minha vida. Simplesmente disse: “Sabrina, você não fez ressonância da pelve para afirmar 100% de certeza o que vou lhe falar agora, mas, dentro da minha experiência, pelos seus sintomas e tudo que descreveu, a sua endometriose está num grau muito avançado. Dentro da classificação médica, ela seria grau IV (nota da editora:a endometriose se classifica em graus de I a IV, sendo este último o estágio mais severo da doença. Grau I: mínima, II: leve, III: moderada e IV: grave, mas sem sempre uma portadora em grau grave tem mais dor do que tem a leve ou a moderada). Aqui, na clínica, opero e trato endometriose, mas nos graus I e II, os mais leves, pois são os que as mulheres descobrem quando tentam engravidar e não conseguem. Dentro disso, peço que faça uma ressonância da pelve e indico o dr. Lúcio para tratar o seu caso. Ele atende numa cidade bem menor do que a tua. Vais até achar estranho eu encaminhá-la a um centro menor, dizendo que o especialista está lá, mas é verdade. Vou pedir uma RM, só para poupar seu tempo, pois o Lúcio vai precisar. Mas, antes, quero ver esse exame primeiro.” Fiz a tal ressonância, e tanto eu quanto qualquer leigo poderia ver que, meus focos de endometriose estavam estrangulando parte do meu intestino e o ovário esquerdo tinha quatro focos bem visíveis. O relatório da ressonância classificava como endometriose grau IV. Deixei o tal exame na clínica do dr. Fernando, em Blumenau, pois ele me ligaria falando sobre o exame. Marquei a consulta o tal dr. Lúcio. Consegui marcar já para a semana seguinte, então, pensei: “Meu Deus, ele deve ter comprado a máquina da ressonância e não tem pacientes, só pode.” O dr. Fernando ligou e disse que o exame confirmava o que ele suspeitava, e que eu não tinha tempo a perder. Ele foi bem enfático ao telefone, ao insistir de que eu precisava do dr. Lúcio. Ainda não entendia bem o que ele queria dizer. Chegou o dia da consulta e, pela primeira vez na minha vida, fui ao gineco acompanhada de meu marido. Pedi a ele para entrar junto comigo no consultório. A ideia era ter mais uma pessoa observando o tal médico, pois ainda não acreditava de que teria a solução para o meu problema, numa cidade de 60 mil habitantes. A clínica estava cheia e ele tinha três secretárias. Lá ouvi que não tinha consulta com ele pra daqui a alguns meses. Então, entendi que eu fui atendida em caráter de urgência, por ter sido encaminhada por outro médico. A consulta resolveu a minha vida! Eu e meu marido gostamos muito do médico. Segundo o doutor, a cirurgia teria que ser feita logo, antes do intestino fechar e eu ser levada ao pronto-socorro em caráter de urgência, com o intestino estourado, e cocô por todo o organismo tendo, e teria grandes chances de perder todos os órgãos reprodutores ou até mesmo de falecer. Logo de cara ele me falou da cirurgia, da equipe multidisciplinar que ele tem e fiquei supercontente. Ele me disse: “Sabrina é uma cirurgia de grande porte, você consegue entender isso”? E eu: “sim, sim.” Bom, mas só fui entender, depois de ter passado por ela. Eu estava tão feliz, por, finalmente, depois de 10 anos de procura, ter encontrado o médico que ajudaria de verdade! Como eu não conhecia nenhuma paciente dele fui a caça de informações. E, então, minha sogra se lembrou de uma amiga dela que tem uma filha que é médica na mesma cidade do dr. Lúcio, e mandou um e-mail à ela explicando por um pouco a situação, e pedindo informações sobre o médico. A resposta foi as melhores referências sobre ele. Foi uma ótima surpresa. Mais tranquila, marquei minha cirurgia para agosto, pois estávamos em maio. Eu viajaria em junho e o médico em julho. Sobrou o mês de agosto. No dia 15 de agosto de 2011, uma segunda-feira, às 9h da manhã, sai de Brusque com uma comitiva: minha mãe, minha sogra e meu marido. Viajamos três horas de carro para me internar, pois no dia seguinte seria a minha cirurgia. Às 6h da manhã, do dia 16, fui encaminhada para o centro cirúrgico, do qual eu somente voltei às 21h. Foram 10 horas de cirurgia, seis médicos e seis enfermeiras envolvidos. Lembro-me de ter entrado no centro cirúrgico, das enfermeiras terem se apresentado e do dr. Lúcio conversando comigo. Depois, eu me lembro de chegar ao quarto e ver a expressão estranha no rosto dos familiares: eu tinha um tubo que entrava pelo nariz e ia até o estomago (sonda gastro), uma sonda urinária (que permaneceu em mim por duas semanas), um dreno no corte do abdômen para drenar os líquidos, que se formam pela intervenção e também já estava tudo preparado caso precisasse de uma bolsa de colostomia (nota da editora: bolsa afixada no abdômen, por meio de uma incisão, com o objetivo de drenar as fezes, quando o intestino grosso, reto ou ânus não funciona normalmente) E soros, isso mesmo, no plural. Tinha soros nos dois braços. Eu estava com uma cor horrível, pois perdi muito sangue durante a cirurgia. Ela se resumiu em 20 cm de intestino retirados, parte do ovário esquerdo retirada e um implante do ureter (nota da editora: são canais que levam a urina dos rins para a bexiga). Durante a cirurgia foi descoberto que meu ureter estava tomado por aderências e o urologista foi chamado às pressas. Além de tudo isso fui submetida a uma plástica vaginal. A minha vagina foi completamente refeita internamente, tamanha a quantidade de aderências que tinha ali. Fiquei uma semana internada. No hospital, tive que reaprender a levantar da cama, a andar, a respirar. Fiz fisioterapia para tudo isso. Reaprendi a fazer cocô e xixi, já que parte da minha bexiga foi retirada também. Ouvi das enfermeiras que fiz uma cirurgia sete em uma, e também a pergunta: “Como você deixou a doença chegar nesse estágio?” Fui extremamente bem atendida por toda a equipe do hospital, e principalmente, pelo meu médico que me visitava todos os dias, inclusive, no fim de semana. Os outros médicos também me visitaram (eram duas visitas de cada um dos especialistas), e me explicaram o que tinham feito como estava e como ficou. Deixo bem claro que fui para a cirurgia ciente e também esperando que eles tirassem meu útero, meu ovário esquerdo por completo, trompas etc. No fim tudo ficou. Ainda bem! Mas não sabíamos da necessidade de retirar parte da bexiga, o ureter e muito menos da plástica vaginal. Isso não aparecia na RM. Segundo minha mãe, ao sair do centro cirúrgico, o dr. Lúcio disse: “Nunca vi uma doença causar tanto estrago!” Voltei para casa oito dias depois, fraca, com uma sonda urinária e começando a fazer cocô novamente. No começo, eu não podia ficar sozinha. Meus pais se revezaram nos cuidados. Minha mãe era quem me dava banho, sentada comigo debaixo do chuveiro. No primeiro mês voltei todas as semanas ao médico, e mesmo assim, ele telefonava perguntando como estava. No segundo mês retirei o cateter ureteral (nota da editora: tubo de plástico, tipo um caninho, que ajuda a drenar a urina). Para isso, fiquei internada algumas horas. Mais uma vez no centro cirúrgico e três médicos envolvidos. Deu tudo certo. A partir daí meus retornos ao médico passaram a serem cada 15 dias, mas dr. Lúcio me ligava toda semana. Dois meses após a cirurgia, menstruei pela primeira vez, e foi completamente diferente de todas as outras vezes. Vinha sangue, bem vermelhinho, como se eu tivesse cortado a pele, um vermelho bem vivo. Falei para o médico completamente feliz e sorridente. E ele me respondeu: “É assim que deve ser.” Então, vocês devem querer saber como era o meu sangue antes: era escuro, quase preto e vinha em pedaços. Ficava menstruada de oito a 10 dias, sendo que os três primeiros vinha uma borra preta até realmente começar a menstruar de verdade, com sangue coagulado. Em novembro de 2011 comecei o tratamento com Zoladex, que ganhei no SUS. Meu médico preencheu todos os papéis, e em um mês, eu retirei a primeira injeção. Tomei a última no dia 31 de dezembro de 2011. Hoje ainda estou sob efeito do Zoladex, ou seja, menopausa induzida, sentindo muitos calorões. Minha saga ainda não chegou ao fim, devo fazer mais um exame em agora em fevereiro ou março para ver se o implante do ureter está funcionando. Também voltarei ao médico especialista em fertilidade, para ele analisar como ficou a parte reprodutiva nessa história toda. Fiz todos, exatamente todos esses processos pelo meu plano de saúde, a UNIMED. Mas sei que tudo correi bem graças a atenção do dr. Lúcio, que fez toda parte burocrática. Ele até ligava para o convênio para aprovar a minha cirurgia. Também contei com o apoio e atenção dele em preencher os papéis do SUS para ganhar o Zoladex, pois não tenho condições de pagar quase 2 mil reais por um remédio. Eu convivi 10 anos com a doença, e com o passar do tempo, ela evoluiu dentro de mim e fez muitos estragos. Ainda não sei se poderei ser mãe um dia, mas isso não me incomoda muito não. Sim, eu sofri durante essa minha convivência com a doença, mas minha vida seguiu. Não deixei de fazer nada por conta da doença. Cursei faculdade, consegui meu primeiro emprego, namorei, me formei, arranjei muitos outros empregos, casei, viajei em lua de mel, abri meu próprio negócio, viajei mais algumas vezes. Continuei seguindo a minha vida, apesar de sentir dor e sofrer 10 dias todos os meses. Ao final dessa longa história, gostaria de dar o nome completo e a cidade do meu anjo: dr. Lúcio Flavo Dalri, de Rio do Sul, em Santa Catarina. Estou há muito tempo para escrever e compartilhar que existe esse médico aqui, escondidinho no Alto Vale catarinense, em uma cidade de 60 mil habitantes, que tem essa equipe multidisciplinar maravilhosa. E o melhor é que faz tudo isso pela UNIMED, sem cobrar 1 real a mais. Após tudo isso, não posso mais menstruar para a doença não voltar. Agora, sim, deverei usar o Mirena. E se um dia eu tiver uma filha, ou se eu posso dar um conselho para alguém é: não menstrue! Use implante, use qualquer outra coisa, mas não menstrue! Só menstrue na fase que quiser engravidar! Espero que minha história seja um alerta para muitas mulheres. Beijos com carinho! Sabrina." Link para a página do BLOG com este relato: http://aendometrioseeeu.blogspot.com.br/2012/02/historia-da-leitora-sabrina-petermann-e.html

domingo, 19 de janeiro de 2014

“Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado”

O escritor Sergio Sinay, 66 anos, é um especialista em vínculos humanos. Sociólogo e jornalista, formou-se na Escola de Psicologia da Associação Gestáltica de Buenos Aires. Requisitado consultor sobre assuntos familiares e relações pessoais, tem vários livros publicados. O mais novo, Sociedade dos Filhos Órfãos, que acaba de sair em português (Editora BestSeller), é uma dura crítica ao modo de vida da atualidade, em que pais delegam a educação e a atenção aos filhos para babás, escolas e até para as novas tecnologias – como celular, televisão e computadores. Esse comportamento transmite aos filhos a noção errada de que basta ter dinheiro para encontrar quem se encarregue daquilo que nos cabe fazer, afirma Sinay, em seu livro. Casado e pai de um jovem, Sinay diz que o amor é uma construção contínua que se fortalece diariamente com responsabilidade e comprometimento. “Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado”. A seguir trechos da entrevista concedida ao Mulher7x7. Mulher7x7- Há uma geração de filhos sem pais presentes nascendo ou ela sempre existiu? SERGIO SINAY – Sempre houve pais que não assumem responsabilidades e sempre haverá. Mas nunca houve como hoje um fenômeno social tão amplo e profundo a ponto de criar uma geração de filhos órfãos de pais vivos. Pela primeira vez podemos dizer, infelizmente, que os filhos com pais presentes que cumprem suas funções são uma minoria. Até que ponto a relação dos pais com os filhos reproduz um estilo de vida da atualidade? Vivemos numa cultura do utilitarismo, em que se busca o material a qualquer preço e por qualquer caminho. As pessoas se medem pelo que possuem e não pelo que são. Os pais correm atrás do material e descuidam de seus filhos que, por sua vez, aprendem a valorizar apenas o bem material. Essa é a fórmula para criar filhos materialistas. Em vários trechos do livro, o senhor diz estar convencido de que muita gente ficará irritada com o que está escrito. Por quê? Porque muita gente não gosta de escutar ou ler o que precisa, apenas o que gosta. Os pais de filhos órfãos, em sua maioria, não admitem sua própria conduta e acreditam que ser pai e mãe consiste em comprar coisas para os filhos, matriculá-los em escolas caras, dar celulares e computadores modernos. O senhor relaciona o fracasso dos pais na educação dos filhos ao medo que eles têm da reprovação infantil. De onde vem esse medo e como fugir dessa armadilha? O medo vem de uma cultura que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Os pais tratam de comprar o amor dos filhos e temem que o cliente não esteja contente. O carinho dos filhos não se compra. Amor se constrói com presença, atitudes e assumindo a responsabilidade de liderar o caminho dessa vida em direção à autonomia. Para isso, há que se estabelecer limites, marcar as fronteiras, frustrar. Criar e educar é também frustrar, ensinar que nem tudo é possível. Só assim se ensina a escolher. E só quem escolhe pode ser livre. Os pais, no entanto, têm medo de não ser simpáticos, então se esquecem de ser pais, que é o que os filhos precisam. Ao se referir ao modelo do passado, em que as mães eram o retrato do sacrifício, e os pais, da disciplina ainda que com distância emocional, o senhor diz que todos sabiam seu papel, algo não acontece hoje. Aquele modo de educar era de alguma forma melhor? Aquele modo de educar tinha muitas limitações e era muito rígido em muitos aspectos. Mas se sabia claramente quem eram os pais e quem eram os filhos. Os pais não tinham medo de atuar como pais, ainda que às vezes cometessem excessos em sua autoridade. Mas é sempre mais fácil corrigir um excesso do que superar uma ausência. Alguém pode mudar um modelo pobre ou insuficiente. Muito mais grave é não ter modelo. Ao abordar o problema de jovens envolvidos com drogas e violência, o senhor diz que a solução é os pais terem mais controle sobre o que eles fazem e onde vão. Como não resvalar para a superproteção? A infância e a adolescência são etapas muito breves da vida e necessárias para o amadurecimento biológico, psíquico e cognitivo. Seremos adultos a maior parte da nossa vida. A adolescência termina entre os 18 e os 19 anos. Quando os pais são ausentes ou não cumpriram suas funções, vemos adolescentes imaturos de 30 ou 40 anos. Se os pais pegam no leme do barco, e realizam esse trabalho com amor, ao fim da adolescência, seus filhos serão pessoas com ferramentas para caminhar pela vida. Terão muito por aprender ainda, mas terão boas bases e um bom sistema imunológico contra os principais perigos sociais. Os limites do controle vão mudando com a idade dos filhos e vão se flexibilizando até desaparecer por completo. Para saber quando e como modificá-los, há que estar presente. Ao propor que os pais busquem interagir com outros pais para a realização de programas em comum e conversas que afinem experiências e atitudes, o senhor está sugerindo que educar é, de alguma forma, uma obra coletiva? Educar é uma missão intransferível de quem, biologicamente ou por adoção, criou um vínculo de maternidade e paternidade. A responsabilidade é sempre individual. Conversar com outros pais e empreender projetos comuns, ajuda a afirmar a tarefa e permite a troca de experiências úteis. Nas grandes cidades, em que muitos pais sequer comparecem às reuniões na escola, não é uma utopia propor essa interação entre os pais? Sem utopias, não se avança. E se cruzarmos os braços, perdemos a batalha. Muitos casais responsáveis e amorosos se sentem sozinhos, não concordam com o que vêem outros pais fazendo e seguem adiante com suas convicções. Por isso, há que falar e propôr interação, dizer a eles “vocês estão num bom caminho”, compartilhem isso. Quando esses pais começarem a falar descobrirão que muita gente pensa assim também, mas estava em silêncio. É o caso de uma família evitar certos círculos de pessoas e lugares, e até cidades, se achar que a vida do filho está indo pelo caminho errado? Não se pode ter medo de tomar decisões, dizer não, proibir certas relações perigosas. Os filhos vão protestar, tentarão transgredir. Isso não é um problema, é parte do processo. Os filhos sempre buscarão transgredir para crescer. O problema é quando os pais viram o rosto, olham para o outro lado, não estabelecem limites ou têm medo dos filhos. Ser pai com amor e presença não significa converter-se em uma pessoa simpática, em um animador de televisão. Às vezes, há que se tomar medidas duras. O senhor diz que muitos pais usam a suposta importância da qualidade do tempo ao lado do filho para justificar a ausência. O que é qualidade de tempo com o filho, na sua opinião? Não há qualidade sem quantidade. Em qualquer tarefa para alcançar qualidade é preciso tempo, compromisso, dedicação. O famoso “tempo de qualidade” de que falam muitos pais – e que inclusive tem o apoio de pediatras e psicólogos infantis – é uma desculpa para que os pais não se sintam culpados. Os pais são adultos e um adulto sabe que na vida não se pode tudo. Há que optar. Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado. O “tempo de qualidade” são cinco minutos nos quais os pais culpados dão tudo aos filhos para evitar o conflito. Isso faz muito mal aos filhos. Se não há tempo, não há qualidade. E se não há tempo para os filhos, é preciso pensar antes de se tornar pais. Depois é tarde. Mas muitos pais não escolhem seus horários, o tempo que perdem no trânsito e, por falta de opção, ficam menos com os filhos do que gostariam. O senhor não acha que os filhos aprendem a diferenciar os pais que nunca estão porque não querem dos pais que não estão porque não podem? A responsabilidade de ser pais nos obriga a fazer escolhas. É verdade que os pais são demandados por muitas atividades. Mas eu pergunto “são todas obrigatórias?”. Muitas vezes, trabalha-se demais para pagar o que não é necessário. Ser pai e mãe é uma oportunidade para aprender a diferenciar os desejos das necessidades. É uma oportunidade para aprender a diferenciar o que a publicidade vende do que realmente precisamos. Tudo que requer nosso tempo é imprescindível? Podemos trabalhar menos enquanto criamos os filhos pequenos? É possível dividir melhor o tempo entre pais e mães? Por que tem que ser sempre a mãe a que duplica suas tarefas? Por que podemos dizer “não” ao tempo que nossos filhos exigem de nós em vez de dizer “não” aos outros? Se os pais têm sempre tempo para suas obrigações e nunca para seus filhos, os filhos aprendem que essas outras coisas (trabalho, reuniões, encontros sociais, esportes etc) são mais importantes do que eles porque nunca podem ser adiados. Não é obrigação dos filhos compreender os pais (ainda mais quando são pequenos). É obrigação dos pais atender às necessidades dos filhos.Por isso é preciso pensar antes de ser tornar pai e mãe. O senhor critica também a estratégia de entreter as crianças com DVDs em viagens para elas ficarem quietas. Vemos esse comportamento da não-interação se estendendo à mesa de restaurantes, festas. Onde está o erro dessa atitude? Ser pai e mãe é um trabalho. Não se pode delegar esse trabalho às novas tecnologias. Essas tecnologias muitas vezes nos conectam mas nos tornam incomunicáveis. Isso se vê especialmente nas famílias, onde todos têm celulares e computadores, mas não mantêm diálogos nem proximidade. O senhor diz que escola não educa, ensina. O que não se deve esperar da escola? Educar é transmitir valores por atitudes, vivendo os valores que pregamos. Educar é ensinar que as pessoas são o fim, e não o meio, algo que se passa por vínculos. Educar é transmitir a certeza de que cada vida tem um sentido e há que viver a busca desse sentido. Isso é educar, é o que fazem os pais com presença, ações e condutas. A escola é a grande socializadora que ensina a viver a diversidade e a respeitá-la, que treina habilidades para viver e atuar no mundo, que dá informação vital sobre esse mundo e que é uma ponte para ele. A escola e os pais são sócios, não podem se separar, nem se enfrentar. Tem que atuar de um modo cooperativo. Os filhos são alunos da escola, não clientes. A escola não é um parque de diversões, nem creche, nem shopping. A escola não pode fazer a vez do pai e da mãe. Os pais não podem pedir à escola que ocupe o lugar que eles deixam vago. Pais que não respeitam as escolas ensinam seus filhos a não respeitar as instituições. Que mensagem o senhor daria para os pais que, sem perceber, estão deixando os filhos de lado acreditando estarem fazendo a coisa certa? Eu os recordaria que ser pai e mãe foi uma escolha. Em pleno século 21, quem não quer ter filhos não tem, de modo que não há desculpas. Quem tem filhos tem responsabilidades sobre uma vida. Essa vida precisa de respostas. E diria que só há uma maneira de aprender a ser pai e mãe: convivendo com os filhos, estando presentes em suas vidas, errar, pedir desculpas, reparar o erro e seguir adiante, sempre com responsabilidade e presença. Em seu livro, o senhor deixa claro que educar é um processo contínuo que exige envolvimento e dá trabalho, mas é fato que muita gente opta por soluções fáceis. Que soluções fáceis devem ser postas de lado? Filhos não vêm com manual de instruções. Cada filho é uma pessoa única. Por isso não há soluções fáceis nem receitas. Nossos filhos nos ensinam a ser pais. Querer que um pediatra, um professor, um psicólogo, a televisão, a internet, uma babá, os avós ou a escola se encarregue dos filhos é buscar uma solução fácil. Pais que procuram esse tipo de solução provam que o problema são eles, e não os filhos. Os filhos nunca são o problema. O grande e maior problema (vício em drogas, alcoolismo, violência juvenil, acidentes de carro, comportamento de risco, doenças novas como obesidade infantil ou déficit de atenção, entre outros) não está nos filhos, nas crianças ou nos adolescentes. Estão nos pais. É possível impor limites sem ser chato? Aquele que impõe limites não recebe sorrisos nem aplausos, mas assume responsabilidades e logo colherá frutos. O senhor afirma que o amor é uma construção. O senhor acredita em amor incondicional? Como bem dizia Alice Miller, uma extraordinária psicóloga suíça que morreu no ano passado, aos 83 anos, e era uma grande defensora dos filhos, o único amor incondicional que existe é dos filhos para os pais. As crianças precisam muito mais dos pais: para crescer, ser guiadas, ter proteção, ser alimentadas, receber valores e, sobretudo, ser amadas. Os filhos não precisam provar seu amor aos pais, mas se os pais amam seus filhos devem dar a eles provas desse amor, acompanhando seu crescimento, transmitindo-lhes valores, colocando limites, frustrando quando necessário, oferecendo um modelo de vida que faça sentido. Sem isso, o amor será apenas palavras. Texto retirado do site: http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/08/02/para-dedicar-tempo-aos-filhos-e-preciso-deixar-outras-coisas-de-lado/